A União Europeia de Radiodifusão (EBU, ou UER em português) realizou nesta quinta (4) sua Assembleia Geral de Inverno, encontro que reuniu representantes das emissoras-membro para tratar de temas institucionais e do futuro do Eurovision. Entre os principais pontos da pauta esteve a permanência de Israel na próxima edição do festival.
Durante a assembleia, foi decidido que Israel seguirá participando do Eurovision por meio de sua emissora pública, KAN. A deliberação ocorreu dentro de um processo dividido em duas etapas. Na primeira, os membros votaram apenas no que dizia respeito à aprovação de mudanças no funcionamento do festival e nos métodos de votação. Com a aprovação dessas alterações por maioria ampla, a EBU entendeu que não seria necessária uma votação específica sobre a exclusão de Israel.
Após essa decisão, houve o pedido formal de uma votação extraordinária secreta para tratar da possível expulsão de Israel do Eurovision. A solicitação partiu de emissoras da Eslovênia, Montenegro, Espanha, Turquia, Argélia, Islândia e Países Baixos. A EBU, no entanto, negou a realização dessa votação.

Nos últimos meses, a KAN e o governo israelense vinham sendo citados em debates internos da EBU devido a questionamentos sobre polêmicas relacionadas ao festival, que partiam desde suposta compra de linhas telefônicas para votos até interferência estatal na escolha das entradas israelenses recentes. Também se fizeram presentes discussões envolvendo o contexto do conflito em Gaza e incidentes diplomáticos registrados durante as edições 2024 e 2025 do Eurovision. Além disso, relatos de assédio moral e agressão verbal envolvendo participantes e membros de emissoras teriam ocorrido com frequência durante as duas últimas edições do festival, tanto por parte da delegação de Israel quanto por parte de comentaristas da KAN.
Quatro desistências: Espanha, Irlanda, Países Baixos e Eslovênia
Após o anúncio da manutenção do país no evento, quatro emissoras confirmaram oficialmente sua retirada do festival: a RTVE, da Espanha; a RTÉ, da Irlanda; a AVROTROS, dos Países Baixos; e a RTVSLO, da Eslovênia. As saídas foram comunicadas imediatamente com o fim da assembleia.
Além dessas retiradas confirmadas, as emissoras RTBF, da Bélgica, e RÚV, da Islândia, passaram a ser mencionadas como possíveis candidatas a uma eventual saída e devem tomar suas decisões nos próximos dias.
A EBU anunciou que a maioria dos seus membros aprovou as reformas que reforçam confiança, transparência e neutralidade no Eurovision, permitindo que todos os membros que aceitarem as novas regras participem do concurso de 2026. Segundo Delphine Ernotte Cunci, a presidente da EBU, o resultado da votação demonstra “o compromisso comum dos membros em proteger a transparência e a confiança no Eurovision Song Contest, o maior evento de música ao vivo do mundo.”
Ao longo de sua história, o Eurovision já enfrentou crises diplomáticas relevantes e chegou a ser impactado diretamente por eventos globais, como a pandemia de Covid-19, mas conseguiu manter sua realização. O cenário atual, no entanto, é avaliado internamente como um impasse diplomático de proporções inéditas para a organização do festival.
Por meio de seus editores, o Kolibli reforça seu posicionamento contrário à participação de Israel no Eurovision, como ocorreu em 2024 e 2025, e deve realizar, nos próximos dias, uma avaliação sobre como funcionará a cobertura do festival em 2026.
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